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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

João

Tanta coisa a dizer mas tudo ainda meio desorganizado nas ideias.
Estou levando a vida do lado de cá, com um pouco mais de paciência e menos ansiedade. Tenho aprendido que o tempo é eficaz se você o trata do jeito que ele se apresenta.

Por incrível que pareça, até me assusto quando lembro disso, a maternidade está sem pressa na minha vida. E não é fuga minha, não. É uma constatação que faço agora... Tenho perdido menos tempo pensando o que fazer agora e deixado mais nas mãos de Deus que seja feita a vontade Dele.

Tem dado certo. Estou mais tranquila, ainda lembro com uma saudade imensa do filho que estaria preenchendo o meu ventre. Sim, filho. Era um menino! O resultado do exame pós-aborto saiu tem mais de 1 mês. Quem habitou meu ser por 3 meses foi o nosso João.

Choramos muito quando saiu esse resultado. Personificou aquele pingo de gente dentro de mim e o transformou num sonho que Deus permitiu acontecer.
Nosso anjo de luz.

A passagem do João (eu e maridone nos referimos assim ao falarmos dele, pelo nome que seria seu) foi tão rápida que nem mesmo conhecemos o seu rosto, tão pouco o seu sorriso. Mas ele foi um grande mestre! Tanto nos ensinou e nos mostrou, que jamais será esquecido. Ele vive em nossos corações e a lembrança do som do seu coração, em um aparelho de ultrassom, estará para sempre em nossas mentes.

Agradeço tanto a Deus por nos ter presenteado com tamanho milagre, apesar da obra não ter sido completa, do ponto de vista da sua continuidade. Mas do ponto de vista da fé de que posso engravidar, consigo gestar...Esta foi total e verdadeira.

A causa do aborto foi genética. João tinha uma cardiopatia severa e incompatível com a vida.

Penso que ele veio para abrir as portas para os irmãos.

O sonho não acabou, ele está sendo construído com nova esperança.

Já conversamos com Deus, quando Ele quiser, estou pronta!



terça-feira, 15 de setembro de 2015

Momento terapia

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer nas horas livres é inventar e reaproveitar!
E essa minha paixão tem me ajudado bastante. Fico horas e horas executando um projetinho por mais simples que seja. É terapia pura.
Sabendo disso, meu maridone há tempos pedia para remodelar ou trocar as cadeiras da sala de jantar pela sua falta de assento estofado. Depois de certo tempo paradinho ali, não tinha ser humano que aguentasse muito tempo na dureza das cadeiras. E receber amigos com um mínimo de conforto é item obrigatório da boa educação.
Por isso, nesse último final de semana me propus a estofar as minhas cadeiras de jantar. 

Comprei tudo em um centro de apetrechos artesanais muito conhecido aqui em Brasília - Taguacenter.
Lá tem de tudo: tecidos, aviamentos, espuma, acessórios de lembrancinhas e produtos para festas... é uma loucura para quem costura e gosta de DIY!!!
Confesso que adoro quando tenho que ir lá, mesmo que não seja para compras minhas.. ahahahaha

Eu tenho grampo de estofador e o usei para grampear o tecido por baixo. Esqueci de tirar foto.
Esse é o grampeador que tenho, da marca Vonder
Cadeira Renda - original TOK STOK

Retirei o assento - apenas desparafusando-o da estrutura

Espuma de 3cm 

Fiz um decalque safado com canetinha e cortei com tesoura


Tudo pronto!
Ficou bem amador, mas muito confortável!
Sobrou tecido e espuma e já pensei em fazer outras coisas... 
Muito material de terapia para outros sábados... rs

Bjinhos


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Como sobreviver ao aborto

Dessas coisas da vida que você não tem noção de como faz para sair, escapar, sobreviver... Com toda certeza, é o aborto.
Eu, com toda a minha noção de que não estava imune a isso, não fazia ideia do buraco negro no qual estava entrando, até viver isso.

Hoje, faz 1 mês (sou apegada a datas, mesmo que esqueça de algumas), exatamente numa quarta-feira ensolarada, que tivemos a notícia que mudou nossas vidas e refez um monte de planos. 
Confesso que achei que nunca mais iria sorrir, sair de casa, falar com naturalidade sobre gravidez e parto, namorar, ver um filme, trabalhar, escrever no blog, falar sobre isso (sem chorar e doer profundamente)... No minha imaginação sem experiência de fato, eu morreria.

Mas eu sobrevivi e estou aqui. 

Uma das melhores atitudes que tive foi viver tudo isso... Cada fase, cada dia. Um de cada vez.

1 - Quando você recebe a notícia

Essa é a hora da negação... Você simplesmente não acredita que isso está acontecendo com você. No meu caso, durou só alguns minutos. Faz parte da minha personalidade não me enganar com os fatos, as evidências médicas e um profissional super gabaritado e sensível a minha dor, não deixaram dúvidas, nós havíamos perdido nosso filho.
Nessa hora, não deixe o desespero fechar sua mente e tapar seus ouvidos. Dependendo do caso, você tem protocolos a cumprir e eles podem requerer certa urgência, não tivemos essa urgência.
No mínimo, você precisa entrar em contato com seu obstetra e lhe informar do ocorrido... Faça o quanto antes. E preste atenção no que ele te orientar e sei que é difícil, mas mantenha o prumo. 

2 - A escolha do que fazer

Geralmente, os médicos te dão 3 opções... Foi assim comigo.
A minha obstetra conversou conosco e nos ofereceu fica em casa e esperar que o corpo agisse e o feto saísse, fazer uma raspagem ou uma aspiração. A primeira nunca foi opção pra mim. Eu já estava bastante abalada, com a alma dilacerada e dor tremenda, não queria sentir dor física também. A raspagem é muito agressiva e pouco eficiente. Então, eu e maridone decidimos pela aspiração por dois motivos preponderantes: pouco prejuízo ao meu endométrio e possibilidade de coleta do material fetal para análise e pesquisa da causa da perda. O que aconteceu três dias depois. Tive cólicas fracas, mas no geral fiquei bem fisicamente.

3 - Não se culpe

Esse não é um bom caminho. Acredite, em sua imensa maioria, abortos espontâneos são acusados por uma seleção natural. Ou é o bebê ou é o teu corpo. Não pense que foi aquele dia que você abaixou para pegar algo que caiu, ou aquele dia que subiu escada, ou aquele dia que comeu poucas gramas de canela no mingau sem saber que não podia, ou aquele dia que passou 15 minutos do prazo de colocar progesterona, ou aquele dia que andou por 30 minutos no shopping, ou... ou... ou... 
Entenda, aconteceu assim porque de outra forma não era mais viável. E agora, ao invés de perder tempo se culpando, procure tomar providências para saber se existiu uma causa conhecida da perda para que a medicina te ajude a não passar por isso novamente.
Ainda não é tranquilo escrever sobre isso, e quando penso nessas palavras, tento introduzir essa questão no meu coração também. Fico imaginando e tentando voltar no tempo e lembrar o que posso ter feito para esse desfecho. E por vezes fiquei brava por não lembrar... De repente me dei conta que a causa do esquecimento não acontece por falta de atenção a determinada ação minha, eu não lembro simplesmente porque muito provavelmente isso não existiu. Fiz a minha parte e zelei o quanto pude para a saúde do meu filho e minha própria.
E outra, eu também acredito muito mais nos planos de Deus. Vamos confiar, Ele sabe o melhor.
Portanto, não se culpe.

4 - Não fique sozinha

Meus pais moram em outro estado. Mas toda a família de meu pai mora aqui e minha única irmã também, graças a Deus. Logo que chegamos em casa, no dia da notícia, meu maridone ligou para todo mundo avisando. Minha irmã veio ficar comigo e minha mãe chegou no dia da AMIU (aspiração manual intra-uterina), não conseguimos vôo para dia mais próximo.
De imediato, eu não quis falar com ninguém, não atendi telefonemas nem respondi mensagens, minha irmã e minha mãe nos blindaram por vários dias, fazendo o trabalho de passar as notícias. Eu não fiquei sozinha nem um dia, nos primeiros 15 dias. Relutei muito no início, porque a minha vontade era de não ver ninguém, a não ser meu maridone. Mas a insistência da minha mãe e minha irmã foi essencial para minha recuperação. 
Era tanto carinho, conversa, orações juntas. Eu chorava bastante, mas foi bom. A companhia delas, a mudança de foco, o abraço e a presença de quem te ama e te quer bem, redireciona seus pensamentos e te dá leveza porque distribui a tua dor. 
Por isso, não fique só. Abasteça seu coração e se deixe consolar por quem te ama. Faz muito bem, por mais que na hora você não pense assim. 

5 - Respeite o seu tempo... para tudo

Depois da recuperação da AMIU, eu ainda não queria sair de casa. Acordava, tomava banho e vestia outro pijama. Passava o dia vendo filmes, vendo programas ou conversando com minha mãe. E depois de uns 5 dias nessa rotina, ela queria que saíssemos de casa. Eu recusei prontamente. Não tinha vontade. E resolvi que só faria coisas que tivesse vontade. 
Alguns dias depois, tive vontade de sair e fomos ao shopping. Dei graças a Deus quando voltamos para casa. Depois, senti vontade de costurar, de vestir outras roupas que não fossem pijamas...rs.

E pasmem... sentimos uma vontade absurda de engatar novo tratamento. 

Conversamos sobre isso com minha obstetra e ela foi contra. Deveríamos esperar pelo menos 3 meses para reiniciarmos as tentativas. 
Achei muito, nós queríamos na minha próxima menstruação!
Em consulta com meu médico da FIV, ele falou a mesma coisa.
Em nova consulta com minha obstetra, voltamos a insistir na ideia. Foi aí que ela nos falou do tempo.
E sabiamente nos explicou que precisamos do tempo para regenerar meu útero, e principalmente, viver esse luto e regenerar e preparar o nosso coração para o próximo filho.
Enfim, aceitamos e entendemos a questão do tempo. E tentar uma nova gestação tão cedo, certamente era nossa mente querendo fazer uma rápida substituição e abafamento da dor. Em vão, mesmo isso pudesse acontecer, jamais esqueceremos esse filho. Ele veio rápido mas trouxe tanto amor! Cumpriu sua missão e hoje intercede por nós junto ao Nosso Deus.

6 - Procure atividades que te fazem bem e te tragam alegria

Por mais que a vibe seja depressiva, force a sua mente e rejeite coisas que te deixam mais triste ainda. Apesar de parecer fácil, não é.
Quando você não está numa boa fase da vida, tem uma certa tendência a fazer escolhas que combinem com esse tom.
Nada de ouvir músicas tristes, melodramáticas. Claro que não tem clima para Ivete Sangalo, mas um som relaxante e instrumental vai bem.
Filmes... A armadilha mais clássica! Comédia sempre. 
Quando tudo aconteceu, eu estava lendo o livro da Natascha Kampusch - aquela garota austríaca que ficou sequestrada durante 8 anos - e o livro da Anne Frank - garota judia que contou sua vida escondida durante a 2ª Guerra Mundial. Adoro ler e leio mais de um livro ao mesmo tempo e amo biografias. Mas esses livros pesados e tristes não dei conta de ler. Adiei essas leituras, Melhor optar por livros de auto-ajuda, de orações, a Bíblia. Caso você ache chato, não leia. Procure outra atividade legal pra fazer.
Aqui entra outra atitude positiva... pratique alguma atividade física. 

7 - Cuide de sua saúde

Essa falta de vontade para as coisas, prejudica muito nossa saúde física e mental. 
Faça o repouso direitinho após a curetagem, continue ou comece a tomar vitaminas, principalmente D, C e E. Essas são responsáveis pela nossa disposição. Restabelecem aquela fadiga mental e falta de ânimo para a vida.
Praticar esportes, fazer uma caminhadinha e/ou dançar podem te dar preguiça, mas tente. Os benefícios virão.
Mantenha uma alimentação equilibrada, mesmo que você ainda esteja super traumatizada e sem apetite, não deixe de consumir alimentos leves e saudáveis. 
E caso você seja teimosa igual a mim, isso terá muita relevância para a próxima tentativa.
Além de ser uma atitude positiva também, ocupe seu tempo fazendo aquela saladinha para o almoço.

Não sou nutricionista, nem entendo muito das propriedades dos alimentos mas sei que alguns deles fomentam nossa ansiedade. E ansiedade é um troço que a gente tem que evitar em qualquer situação, e ainda mais nessa, na qual o tempo é indefinido. E talvez longo.
Então, nada de muito café e de alguns chás (que eu saiba, aqueles altamente diuréticos são bem estimulantes), sem esquecer das frituras e dos embutidos, que apesar de não provocar ansiedade (até onde eu saiba rs) provocam muita raiva, porque ninguém merece ficar gorda, além de triste.Como diz uma amiga, CORTO, ANULO E REPREENDO isso para minha vida. ^.^

8 - Cuide do seu amor

A maioria de nós, que faz tratamentos para engravidar, compartilha o sonho da família com o seu amor, seja ele marido, namorado(a), companheiro(a), e é muito provável que as atenções logo após a perda, continuem para nós.
Não se esquecem, por mais sofrido que esteja para você, para ele também está. E cada um tem sua maneira de viver isso. Nos homens, o mais normal é que se mantenham centrados, e aparentemente calmos com a situação. Mas por dentro, a mesma dor os consome. E eles, pouco sabem o que fazer com toda essa angústia também.
Falo isso porque aconteceu com meu amor. Um grande amigo dele (que também já passou por isso com sua esposa) ligou para dar uma força e acabou falando: "as mulheres sofrem muito com isso, né"... Maridone, prontamente falou: "cara, eu tô sofrendo pra caramba também"... Ele mesmo me contou esse episódio super admirado do amigo falar isso pra ele. Depois disso, intensifiquei meu carinho e tive certeza que sentíamos a mesma dor. Por isso, mesmo que eles demonstrem força, não deixe de dar carinho, provocar uma boa conversa (mesmo se for outros assuntos) e atenção nunca são demais. Às vezes, apenas ouvir como foi o dia de trabalho, ficar abraçadinho por alguns minutos trazem conforto. Saber reconhecer o tempo deles também é importante, silêncio também faz bem. E sempre que você sentir que é uma boa hora, conversar, conversar e conversar... Não sei pra vocês, mas aqui em casa, a gente conversa muito sobre tudo e gostamos de saber a perspectiva do outro para determinadas coisas... Muitas vezes, a gente consegue ver saída, apenas por ter um pensamento, ideia diferente.

............

Um tempo atrás escrevi sobre como sobrevivi a tantos negativos, infelizmente hoje escrevi da minha perda. Espero ajudar alguém a superar tamanha dor.
E até agora, esses foram caminhos que segui para passar por essa difícil etapa de nossas vidas, todos foram acontecendo aos poucos e eu também me forcei a sair desse abismo.
Rezo e busco a Deus sempre que pensamentos ruins e o medo tentam me cercar, e tenho conseguido seguir em frente.

O sonho continua.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Sacudindo a poeira

Os dias vão passando e a vamos acostumando e nos adaptando a uma nova realidade...
Aos poucos, a vida vai voltando ao normal, como tem que ser!
Meu pequeno cumpriu sua missão nesse pouco tempo que ficou em meu ventre...
Pude rever muitas prioridades e as reflexões continuam...

A vontade de tentar novamente vem chegando e planos vão sendo delineados. Deus vai agindo no meu silêncio e daqui a pouco consigo seguir em frente.

Por hora, tenho que emagrecer os quilinhos ganhos e retomar o meu trabalho e as minha rotina.

Maridone também está bem melhor, graças a Deus!

Queria também agradecer as mensagens queridas de vocês!
Muito obrigada!


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Os últimos meses

Quanto tempo, não?!

Hoje tenho uma história para contar. Sobre os últimos meses...

Meu último post foi sobre o dia das mães e eu tinha planejado fazer outro no dia dos pais - Sim, o sumiço foi proposital. Não foi possível e ao longo das linhas você entenderá porquê.

Em meados de maio, logo após o dia das mães, comecei a preparar o meu corpo para a minha 6.ª Fertilização In Vitro.
Foi uma época de muitas dúvidas, medo e resolvemos que dessa vez não contaríamos para ninguém. E assim fizemos. Passamos por todo aquele processo, já conhecido da gente. Acho que não preciso explicar... INDUÇÃO > CAPTAÇÃO > FERTILIZAÇÃO > DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO > TRANSFERÊNCIA.

Nós optamos por congelar apenas os embriões excedentes e transferir a fresco. Isso quer dizer que o tratamento todo durou por volta de 20 dias. Foram aspirados 10 folículos, fertilizados 8 e continuaram a se desenvolver 4... 
No 5º dia transferimos 2 blastocistos e ficaram 2 para serem congelados de 6 dias...
Infelizmente, eles pararam o desenvolvimento e não pudemos congelar esses dois que sobraram.

Minha transferência foi no dia 2 de junho e o BetaHCG marcado para o dia 12 de junho...
Foram dias de muita tranquilidade, bem diferente das outras FIV's! Estávamos seguros e eu, pela primeira vez sentia que estava dando certo. O sonho estava se realizando!

O dia 12 é um dia bem significativo pra mim, vocês sabem... Dia de Nossa Senhora! Não tinha data melhor para fazer o Beta.

O dia tão esperado chegou e fomos ao laboratório meio tensos mas com aquela esperança gostosa no coração.

Às 15h desse mesmo dia recebemos a notícia mais aguardada e emocionante dos últimos anos!

Sim, meu filho estava lá! O Beta não foi dos maiores... Mas era o meu positivo!!!
Quanta felicidade, quanta alegria!
Jamais esquecerei aquele dia! Jamais!

Eu havia prometido a Nossa Senhora que se engravidasse dessa FIV, só contaríamos para a família e amigos próximos depois das 12 semanas... Já adianto que foi extremamente difícil concluir essa missão... Quase impossível! Descobrimos que tem muita gente que ora por nossa felicidade em silêncio.

Ao longo das primeiras semanas tive alguns episódios de sangramento e um dia fui parar num pronto socorro por causa disso... Em todos os episódios, nosso filho estava lá se desenvolvendo e com o coração batendo forte!

Perto de completarmos 12 semanas, foi aniversário de meu maridone e escolhemos essa data para contar para nossa família... Gente, foi um dia muito muito muito feliz! Foi muito chororô, muitos gritinhos e mãos na minha barriga (achei que iria repelir esse tipo de carinho, mas adorei), muita gente feliz com nossa felicidade!

Na semana seguinte foi nossa primeira morfológica. 
Aqueles episódios de borra escura insistiam em me assombrar, mas os exames e ecografias mostravam que nosso filho tinha saúde e estava bem.

Chegamos cedo ao consultório e o nosso médico brincou conosco, falou que seria um exame tranquilo, nos explicou para que serve essa ecografia morfológica, falou de futebol com maridone e pediu para eu deitar na maca de exame...

Esse foi o último exame que fizemos...

Nessa hora descobrimos que nosso filho estava quietinho, sem se mexer, sem batimentos. Sem vida.

Esse foi nosso último dia de felicidade.

Aconteceu há 2 semanas, a três dias do dia dos pais.

Eu queria muito ter vindo aqui e falar o quanto esse dia dos pais foi especial e cheio de alegria... Mas não foi.

Sem revolta, sem mágoas... Apenas fazendo uma constatação...

Esse dia dos pais conseguiu ser pior do que o dia das mães.

Estou aqui escrevendo isso e com meu coração apertadinho... Precisava dividir com as minhas leitoras que não me acompanham no instagram (contei por lá esses dias) tudo o que nos aconteceu.

A fase de desespero passou, restou agora muita tristeza e um pedido enorme a Deus para iluminar nosso caminho.

Post pesado, mas eu tinha que contar...

P.S.: Mudei o layout e coloquei umas flores para ver se a vibe melhora... E essa da foto, sou eu.

Volto quando estiver melhor!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O dia que eu queria que fosse meu também.

Começou a semana que eu mais queria passar pertecendo a outra categoria... Começou a semana das flores, do cor-de-rosa, das declarações de amor, dos pequenos abraços acolhedores...
Já tem uns 5 anos que o coraçãozinho fica bem pequeninhinho, apertado, quase choroso.

Eu queria vir aqui e falar de coisas felizes nesse dia tão lindo, até porque tem muito tempo que não passo essa data com minha mãe amada e esse ano meus pais estão passando uns dias conosco.
Fico feliz e agradecida a Deus por isso, mas não consigo me alegrar completamente...

É a única data na qual bate esse desespero de não saber quando terei a graça de ser um dia meu também. Nem mesmo no Natal ou no meu aniversário eu fico tão deprê... Não tenho controle sobre isso, sei que deveria ter e pensar outras coisas...
Mas é mais forte que eu!

Teve um ano que meu maridone me deu um buquê de flores na tentativa de me ver sorrir... caí no choro! Eu não queria um consolo, eu queria outra realidade. Não fiquei magoada, fiquei triste por demonstrar tanto o meu descontentamento a ponto de maridone achar que um presente tiraria essa dor do peito.

Não tenho por hábito ser dramática ou ficar de mimimi... Não sei o que acontece, mas esse ano estou bem mais sensível!
Sei que é um dia mais comercial do que sentimental... No entanto, tem uma simbologia muito forte pra mim.
Nesse dia eu lembro, com muito mais força, que ainda não sou mãe.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Tranquila espera

Quando o tempo passa e nada acontece?
Como é que faz?

Espera? Corre atrás?

Estamos numa fase de olhar o tempo passar... E pasmem... Não sinto que ele está me devorando como nas outras vezes.

Nossa última tentativa de fertilização in vitro foi agora em janeiro, já estamos em abril... E ainda não sabemos o que nos espera.

Fico pensando, de vez em quando, que meu filhote deve estar lá na casa da D. Cegonha tentando entender o porque desse atraso no nosso encontro.

Eu não posso dizer a causa, eu só sinto que tem que ser assim. Não é decisão minha. Deus tem o controle e cabe a Ele proporcionar esse nosso encontro.
Sei que será lindo.
E é por isso que espero. Às vezes, meio impaciente, noutras meio chorosa... 

Mas sempre espero e creio que o melhor está por vir!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Fui ali mas já voltei!

Quem é vivo, sempre aparece!
Fui lá na Bahia ser feliz, curtindo as minhas miniférias!
Foi bem bom! Recomendo!


Hotel gracinha!



Ahhhh... o mar! E a cabeça de maridone! rs




Tudo que eu queria e precisava!



A vida tava bem boa!

domingo, 15 de março de 2015

Tá escrito

Tem dias que a gente tá meio assim... Parece meio estranho e sem querer sorrir, né?!
Eu estava assim na última quinta, voltando para o trabalho depois do almoço. Liguei o rádio e ouvi essa música.
Pode ser que você se lembre da nossa derrota na Copa do Mundo do ano passado, mas eu lembrei de mim mesmo! ^__^
E foi o hino do dia!

Ergue essa cabeça!

quinta-feira, 12 de março de 2015

Manual de Sobrevivência ao Beta Negativo

Todo mundo que faz fertilização in vitro fica mega feliz quando o resultado do BetaHCG é positivo. Até quem ainda não teve essa felicidade, se realiza nos positivos dazamigas! Eu, incluisive! :D
Os post's são lindos e cheios de emoção e o assunto reverbera por muitos dias e em muitos meios digitais, quando a nova mamãe tem várias contas como blog, instagram, twitter, facebook e por aí vai! 
Eu leio tudo e adoro!
Mas o que pouco se fala (nesse caso, se escreve) é quando o resultado do tratamento dá negativo. E não estou falando de vocês, queridos leitores. Estou falando de nós, fivetes, que escrevemos tudo o que acontece com nosso tratamento e depois do negativo, a gente dá uma sumidinha básica. Acha que nunca mais vai postar nada sobre nada. O mundo (virtual) morre! 
É normal, viu pessoas! E digo mais... Essa pessoa que vos fala tem feito isso reiteradamente...
Não vou pedir desculpas porque acho que não ofendi ninguém. Só não tinha motivos e nem assunto mesmo!

Pois bem, pensando sobre isso e lembrando que dessa última batalha perdida eu me recuperei até beeeeem rápido, queria escrever pra vocês o que aprendi nesses anos de luta e me deu suporte para atravessar mais um negativo com uma certa serenidade.
Foram atitudes bem pessoais, isso não é um manual de sobrevivência (mesmo que tenha sido pra mim)... Então, peguem o que lhes fizer bem... Vamos lá?!

1 - Tenha fé! E tenha confiança em Deus, em Maomé, em Alá... Qualquer que seja sua religião, busque a Sua Divindade dentro do seu coração, faça suas orações e repita: Eu serei abençoada! Eu terei filhos! Eu serei vitoriosa! Eu sempre pensava nessas palavras, e mesmo chorando, repetia baixinho só pra eu mesma pudesse ouvir. Fiz isso muitas vezes em desespero, sozinha em casa, no trânsito, no banheiro do trabalho e na volta do laboratório, depois de ter feito o exame. Isso me dava uma paz enorme, ainda que o resultado não tenha sido o que eu esperava, AINDA.


2 - Chore (essa eu tenho PHD), se dê esse direito! Depois, tome um banho bem quentinho, de preferência com uma vela aromática acesa e uma luz bem fraquinha... Só pra criar um ambiente mais relaxante. A minha consciência ambiental não me deixa ficar ad aeternum debaixo do chuveiro. Mas, creia, qualquer 5 minutos só ouvindo o barulhinho da água caindo sobre a sua cabeça vai te acalmar! E se o maridone estiver junto, abraçadinho contigo, será perfeito!


3 - Não se culpe. Não era pra ser! Sim, com certeza, aconteceu ou deixou de acontecer alguma coisa para que seu filho não tenha grudado em você. Mas, sem sombra de dúvidas, nem você e nem a medicina tem controle sobre isso. Entenda apenas que não era pra ser agora, mas em breve será! E quando tiver estabilidade emocional, investigue e recomece.
Eu já fiz todo tipo de abordagem... Já quase virei uma galinha de tanto ovo que comi...Já tomei tanta gororoba de gelatina e abacate que tive piriri... Já gastei muitas dilmas com aquela frutinha cara que só acho no Pão de Açúcar - phisalis... Já fiz repouso absoluto, e também não fiz nenhum... Como se vê... Não há culpados!


4 - Tenha paciência com maridone, mesmo que a situação seja extremamente estressante, foi um baita NÃO da vida pra ele também. Fiquem juntos todas as vezes que for possível, principalmente nos dias seguintes ao negativo. Fortaleçam o amor e a fé juntos. Conversem e rezem. Será muito reconfortante.
O resgate da nossa espiritualidade foi o que de melhor trouxe a espera pelo nosso filho. Descobrimos que Deus sempre esteve conosco e tudo que está acontecendo é porque Ele nos quer perto dEle! Talvez se eu estivesse feliz e cheia de filhos, e nem me lembrasse de ao menos agradecê-lO. O convívio com Ele nos reinventou!


5 - Procure atividades que lhe faça bem, ou retorne antigos projetos. Refrescar a memória com o que nos dá prazer, trás uma paz enorme e alegra o coração. Além de ser uma ótima terapia. 
Lá em casa, eu comecei a costurar e maridone começou um curso de webdesigner on line. E está dando tão certo que minha casa está cheia de novos guardanapos e jogos americanos! rs E maridone está doido para mudar o layout desse meu blogheeeenho! kkkk Posso te fazer uma lista de coisas legais pra fazer/preencher os pensamentos positivamente: fotografia, pintura, leitura, estudo de outro idioma, escultura, desenho, origami, jardinagem... Escolhe um, vai!


6 - Se puder, viaje. Um lugar legal para pôr as ideias em ordem é muito bom e até aconselhável! Esse item nós usamos sempre! Não tem erro! Não precisa tirar férias, um final de semana já te deixa leve. Pode ser aí, perto de casa! Se não puder viajar, te hospeda em um hotel legal da tua cidade... Experimenta! Também já fizemos isso!


Foi isso que fizemos e saímos do luto com mais coragem para lutar.
Digo a você, que acabou de receber um beta negativo... Não desista!
Continue! 
Vai dar tudo certo!