Pesquisar nas cartas

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Momento terapia

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer nas horas livres é inventar e reaproveitar!
E essa minha paixão tem me ajudado bastante. Fico horas e horas executando um projetinho por mais simples que seja. É terapia pura.
Sabendo disso, meu maridone há tempos pedia para remodelar ou trocar as cadeiras da sala de jantar pela sua falta de assento estofado. Depois de certo tempo paradinho ali, não tinha ser humano que aguentasse muito tempo na dureza das cadeiras. E receber amigos com um mínimo de conforto é item obrigatório da boa educação.
Por isso, nesse último final de semana me propus a estofar as minhas cadeiras de jantar. 

Comprei tudo em um centro de apetrechos artesanais muito conhecido aqui em Brasília - Taguacenter.
Lá tem de tudo: tecidos, aviamentos, espuma, acessórios de lembrancinhas e produtos para festas... é uma loucura para quem costura e gosta de DIY!!!
Confesso que adoro quando tenho que ir lá, mesmo que não seja para compras minhas.. ahahahaha

Eu tenho grampo de estofador e o usei para grampear o tecido por baixo. Esqueci de tirar foto.
Esse é o grampeador que tenho, da marca Vonder
Cadeira Renda - original TOK STOK

Retirei o assento - apenas desparafusando-o da estrutura

Espuma de 3cm 

Fiz um decalque safado com canetinha e cortei com tesoura


Tudo pronto!
Ficou bem amador, mas muito confortável!
Sobrou tecido e espuma e já pensei em fazer outras coisas... 
Muito material de terapia para outros sábados... rs

Bjinhos


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Como sobreviver ao aborto

Dessas coisas da vida que você não tem noção de como faz para sair, escapar, sobreviver... Com toda certeza, é o aborto.
Eu, com toda a minha noção de que não estava imune a isso, não fazia ideia do buraco negro no qual estava entrando, até viver isso.

Hoje, faz 1 mês (sou apegada a datas, mesmo que esqueça de algumas), exatamente numa quarta-feira ensolarada, que tivemos a notícia que mudou nossas vidas e refez um monte de planos. 
Confesso que achei que nunca mais iria sorrir, sair de casa, falar com naturalidade sobre gravidez e parto, namorar, ver um filme, trabalhar, escrever no blog, falar sobre isso (sem chorar e doer profundamente)... No minha imaginação sem experiência de fato, eu morreria.

Mas eu sobrevivi e estou aqui. 

Uma das melhores atitudes que tive foi viver tudo isso... Cada fase, cada dia. Um de cada vez.

1 - Quando você recebe a notícia

Essa é a hora da negação... Você simplesmente não acredita que isso está acontecendo com você. No meu caso, durou só alguns minutos. Faz parte da minha personalidade não me enganar com os fatos, as evidências médicas e um profissional super gabaritado e sensível a minha dor, não deixaram dúvidas, nós havíamos perdido nosso filho.
Nessa hora, não deixe o desespero fechar sua mente e tapar seus ouvidos. Dependendo do caso, você tem protocolos a cumprir e eles podem requerer certa urgência, não tivemos essa urgência.
No mínimo, você precisa entrar em contato com seu obstetra e lhe informar do ocorrido... Faça o quanto antes. E preste atenção no que ele te orientar e sei que é difícil, mas mantenha o prumo. 

2 - A escolha do que fazer

Geralmente, os médicos te dão 3 opções... Foi assim comigo.
A minha obstetra conversou conosco e nos ofereceu fica em casa e esperar que o corpo agisse e o feto saísse, fazer uma raspagem ou uma aspiração. A primeira nunca foi opção pra mim. Eu já estava bastante abalada, com a alma dilacerada e dor tremenda, não queria sentir dor física também. A raspagem é muito agressiva e pouco eficiente. Então, eu e maridone decidimos pela aspiração por dois motivos preponderantes: pouco prejuízo ao meu endométrio e possibilidade de coleta do material fetal para análise e pesquisa da causa da perda. O que aconteceu três dias depois. Tive cólicas fracas, mas no geral fiquei bem fisicamente.

3 - Não se culpe

Esse não é um bom caminho. Acredite, em sua imensa maioria, abortos espontâneos são acusados por uma seleção natural. Ou é o bebê ou é o teu corpo. Não pense que foi aquele dia que você abaixou para pegar algo que caiu, ou aquele dia que subiu escada, ou aquele dia que comeu poucas gramas de canela no mingau sem saber que não podia, ou aquele dia que passou 15 minutos do prazo de colocar progesterona, ou aquele dia que andou por 30 minutos no shopping, ou... ou... ou... 
Entenda, aconteceu assim porque de outra forma não era mais viável. E agora, ao invés de perder tempo se culpando, procure tomar providências para saber se existiu uma causa conhecida da perda para que a medicina te ajude a não passar por isso novamente.
Ainda não é tranquilo escrever sobre isso, e quando penso nessas palavras, tento introduzir essa questão no meu coração também. Fico imaginando e tentando voltar no tempo e lembrar o que posso ter feito para esse desfecho. E por vezes fiquei brava por não lembrar... De repente me dei conta que a causa do esquecimento não acontece por falta de atenção a determinada ação minha, eu não lembro simplesmente porque muito provavelmente isso não existiu. Fiz a minha parte e zelei o quanto pude para a saúde do meu filho e minha própria.
E outra, eu também acredito muito mais nos planos de Deus. Vamos confiar, Ele sabe o melhor.
Portanto, não se culpe.

4 - Não fique sozinha

Meus pais moram em outro estado. Mas toda a família de meu pai mora aqui e minha única irmã também, graças a Deus. Logo que chegamos em casa, no dia da notícia, meu maridone ligou para todo mundo avisando. Minha irmã veio ficar comigo e minha mãe chegou no dia da AMIU (aspiração manual intra-uterina), não conseguimos vôo para dia mais próximo.
De imediato, eu não quis falar com ninguém, não atendi telefonemas nem respondi mensagens, minha irmã e minha mãe nos blindaram por vários dias, fazendo o trabalho de passar as notícias. Eu não fiquei sozinha nem um dia, nos primeiros 15 dias. Relutei muito no início, porque a minha vontade era de não ver ninguém, a não ser meu maridone. Mas a insistência da minha mãe e minha irmã foi essencial para minha recuperação. 
Era tanto carinho, conversa, orações juntas. Eu chorava bastante, mas foi bom. A companhia delas, a mudança de foco, o abraço e a presença de quem te ama e te quer bem, redireciona seus pensamentos e te dá leveza porque distribui a tua dor. 
Por isso, não fique só. Abasteça seu coração e se deixe consolar por quem te ama. Faz muito bem, por mais que na hora você não pense assim. 

5 - Respeite o seu tempo... para tudo

Depois da recuperação da AMIU, eu ainda não queria sair de casa. Acordava, tomava banho e vestia outro pijama. Passava o dia vendo filmes, vendo programas ou conversando com minha mãe. E depois de uns 5 dias nessa rotina, ela queria que saíssemos de casa. Eu recusei prontamente. Não tinha vontade. E resolvi que só faria coisas que tivesse vontade. 
Alguns dias depois, tive vontade de sair e fomos ao shopping. Dei graças a Deus quando voltamos para casa. Depois, senti vontade de costurar, de vestir outras roupas que não fossem pijamas...rs.

E pasmem... sentimos uma vontade absurda de engatar novo tratamento. 

Conversamos sobre isso com minha obstetra e ela foi contra. Deveríamos esperar pelo menos 3 meses para reiniciarmos as tentativas. 
Achei muito, nós queríamos na minha próxima menstruação!
Em consulta com meu médico da FIV, ele falou a mesma coisa.
Em nova consulta com minha obstetra, voltamos a insistir na ideia. Foi aí que ela nos falou do tempo.
E sabiamente nos explicou que precisamos do tempo para regenerar meu útero, e principalmente, viver esse luto e regenerar e preparar o nosso coração para o próximo filho.
Enfim, aceitamos e entendemos a questão do tempo. E tentar uma nova gestação tão cedo, certamente era nossa mente querendo fazer uma rápida substituição e abafamento da dor. Em vão, mesmo isso pudesse acontecer, jamais esqueceremos esse filho. Ele veio rápido mas trouxe tanto amor! Cumpriu sua missão e hoje intercede por nós junto ao Nosso Deus.

6 - Procure atividades que te fazem bem e te tragam alegria

Por mais que a vibe seja depressiva, force a sua mente e rejeite coisas que te deixam mais triste ainda. Apesar de parecer fácil, não é.
Quando você não está numa boa fase da vida, tem uma certa tendência a fazer escolhas que combinem com esse tom.
Nada de ouvir músicas tristes, melodramáticas. Claro que não tem clima para Ivete Sangalo, mas um som relaxante e instrumental vai bem.
Filmes... A armadilha mais clássica! Comédia sempre. 
Quando tudo aconteceu, eu estava lendo o livro da Natascha Kampusch - aquela garota austríaca que ficou sequestrada durante 8 anos - e o livro da Anne Frank - garota judia que contou sua vida escondida durante a 2ª Guerra Mundial. Adoro ler e leio mais de um livro ao mesmo tempo e amo biografias. Mas esses livros pesados e tristes não dei conta de ler. Adiei essas leituras, Melhor optar por livros de auto-ajuda, de orações, a Bíblia. Caso você ache chato, não leia. Procure outra atividade legal pra fazer.
Aqui entra outra atitude positiva... pratique alguma atividade física. 

7 - Cuide de sua saúde

Essa falta de vontade para as coisas, prejudica muito nossa saúde física e mental. 
Faça o repouso direitinho após a curetagem, continue ou comece a tomar vitaminas, principalmente D, C e E. Essas são responsáveis pela nossa disposição. Restabelecem aquela fadiga mental e falta de ânimo para a vida.
Praticar esportes, fazer uma caminhadinha e/ou dançar podem te dar preguiça, mas tente. Os benefícios virão.
Mantenha uma alimentação equilibrada, mesmo que você ainda esteja super traumatizada e sem apetite, não deixe de consumir alimentos leves e saudáveis. 
E caso você seja teimosa igual a mim, isso terá muita relevância para a próxima tentativa.
Além de ser uma atitude positiva também, ocupe seu tempo fazendo aquela saladinha para o almoço.

Não sou nutricionista, nem entendo muito das propriedades dos alimentos mas sei que alguns deles fomentam nossa ansiedade. E ansiedade é um troço que a gente tem que evitar em qualquer situação, e ainda mais nessa, na qual o tempo é indefinido. E talvez longo.
Então, nada de muito café e de alguns chás (que eu saiba, aqueles altamente diuréticos são bem estimulantes), sem esquecer das frituras e dos embutidos, que apesar de não provocar ansiedade (até onde eu saiba rs) provocam muita raiva, porque ninguém merece ficar gorda, além de triste.Como diz uma amiga, CORTO, ANULO E REPREENDO isso para minha vida. ^.^

8 - Cuide do seu amor

A maioria de nós, que faz tratamentos para engravidar, compartilha o sonho da família com o seu amor, seja ele marido, namorado(a), companheiro(a), e é muito provável que as atenções logo após a perda, continuem para nós.
Não se esquecem, por mais sofrido que esteja para você, para ele também está. E cada um tem sua maneira de viver isso. Nos homens, o mais normal é que se mantenham centrados, e aparentemente calmos com a situação. Mas por dentro, a mesma dor os consome. E eles, pouco sabem o que fazer com toda essa angústia também.
Falo isso porque aconteceu com meu amor. Um grande amigo dele (que também já passou por isso com sua esposa) ligou para dar uma força e acabou falando: "as mulheres sofrem muito com isso, né"... Maridone, prontamente falou: "cara, eu tô sofrendo pra caramba também"... Ele mesmo me contou esse episódio super admirado do amigo falar isso pra ele. Depois disso, intensifiquei meu carinho e tive certeza que sentíamos a mesma dor. Por isso, mesmo que eles demonstrem força, não deixe de dar carinho, provocar uma boa conversa (mesmo se for outros assuntos) e atenção nunca são demais. Às vezes, apenas ouvir como foi o dia de trabalho, ficar abraçadinho por alguns minutos trazem conforto. Saber reconhecer o tempo deles também é importante, silêncio também faz bem. E sempre que você sentir que é uma boa hora, conversar, conversar e conversar... Não sei pra vocês, mas aqui em casa, a gente conversa muito sobre tudo e gostamos de saber a perspectiva do outro para determinadas coisas... Muitas vezes, a gente consegue ver saída, apenas por ter um pensamento, ideia diferente.

............

Um tempo atrás escrevi sobre como sobrevivi a tantos negativos, infelizmente hoje escrevi da minha perda. Espero ajudar alguém a superar tamanha dor.
E até agora, esses foram caminhos que segui para passar por essa difícil etapa de nossas vidas, todos foram acontecendo aos poucos e eu também me forcei a sair desse abismo.
Rezo e busco a Deus sempre que pensamentos ruins e o medo tentam me cercar, e tenho conseguido seguir em frente.

O sonho continua.